Porta da frente

Tu bateste à porta e eu te deixei entrar. Te levei ao sofá da sala, perguntei se estava bem. Pode ficar à vontade. Te deixei simplesmente estar aqui comigo porque tu me disseste que eu não estava bem sozinho; precisava de ti. Aceitei-o na minha casa, no meu íntimo secreto. Estava tudo bem — tu estavas comigo, me dizias que era o suficiente. Eu acreditava. Então tu querias que eu ficasse confortável, não me deixava levantar do sofá. Assim permaneci. E a campainha tocava, mas eras tu quem atendias, mas não deixavas ninguém entrar. Mas estava tudo bem! E quando eu questionava, estavas num momento inoportuno, eu estava incomodando a tua proteção preciosa. Afinal, só querias me ver bem. Aceitei. Os retratos pela sala e pela mesinha de centro foram sumindo aos poucos, junto com eles todos os outros rostos que tinham a chave da porta da frente. De repente, aquela exclusividade era o que tu mais querias porque te importavas comigo, sim? Tudo bem eu me afastar dos amigos pelos quais nutria tanto carinho. Tu estavas ali. Mas tinha algo errado. Eu não estava me esforçando o suficiente para cultivar aquilo, estava te prendendo todas as vezes em que dizias que queria sair. Mas eu não podia ir contigo. Eras o único que fazia esforço pra manter a sala organizada enquanto eu, ingênuo, mantinha um foco estúpido em mim mesmo. Aos poucos, a sala ficou cheia com as tuas fotos. As tuas fotos, eu não estava nelas ao teu lado. O meu sofá pequeno teve que ser substituído por um maior pra comportar as tuas exigências, o tapete foi trocado por um da tua cor favorita. No meio de todas aquelas mudanças, perdi a chave. Eu não precisava dela, certo? Não aceitei. Consegui escapar pela janelinha que tu insistias em fechar com as cortinas. Aquela não era mais a minha sala, eu não conseguia sair pela porta. Mas felizmente, fechei a janela pelo lado de fora e tu, meu amor querido, ficaste trancado lá dentro.

Perdi os teus retratos que eu tanto apreciava, mas felizmente consigo, por mim mesmo, abrir e fechar a porta da frente.

Texto enviado por Pedro Henrique Silva, e-mail para contato phenriquec16@gmail.com.

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